Quase
sempre que eu conto às pessoas que curso pedagogia, percebo o quão descrente
elas são da educação. As frases de desencorajamento surgem aos montes,
principalmente daqueles que já foram ou ainda são professores. “Desista
enquanto há tempo”. “Você está louca? As crianças de hoje em dia não obedecem a
mais ninguém” “A educação no Brasil não tem jeito”, e por aí vai...
Percebi então que meu pensamento, de certa forma, também estava contaminado com alguma dessas ideias que as pessoas traziam até mim. Seria ingenuidade minha pensar que todos esses discursos são totalmente falsos. Eu sei que o trabalho do professor é muito desvalorizado hoje em dia e que os alunos mudaram com o passar dos anos. Sei, também, que falta muito para o Brasil ser um país que realmente se preocupa e investe na educação e apesar de nunca ter freqüentado – nem como professora, nem como aluna – uma escola pública, tenho consciência que pouco se faz para que a maioria dos estudantes brasileiros tenha um ensino de qualidade.
Então, me perguntei: por quê? Por qual motivo, apesar de tudo isso, eu continuo aqui estudando como louca, lendo muitos textos, passando noites sem dormir, me empenhando nos trabalhos? Por que eu continuo fazendo pedagogia?
Por algum tempo essa questão me atormentou. Mas ao ter oportunidade de voltar às minhas experiências do passado e ao meu tempo de aluna refleti que a escola marcou muito a minha vida. Quantos medos, traumas, choros, frustrações senti naquele lugar? Quantas vezes eu acordei não querendo ir à escola ou torcendo para acordar doente bem no dia daquela prova dificílima? Mas, mais do que isso, eu vejo o quanto a escola ainda é presente em mim. Os amigos, as excursões, as peças de teatro, as aulas de artes e, principalmente, os professores me fizeram ser o que eu sou hoje. E não só os professores da escola; os da faculdade também.
E foi com essa reflexão que cheguei a uma resposta para aquela questão tão inquietante. Eu quero ser professora, porque quero fazer na vida dos meus alunos a diferença que alguns dos meus professores fazem na minha vida. Eu continuo a fazer pedagogia, porque eu percebo que me espelhei em muitos dos meus mestres para construir minha personalidade, minhas preferências e meus ideais. A escolha da minha profissão é quase que uma retribuição ao tempo, carinho e dedicação que recebi durante esse tempo que estudei. Obrigada Tia Cris, Tia Márcia, Dona Gaino, Seu Léo, Dona Regininha, Mussa, Tadeu, Eliane, Galo, Ana... Vocês me fizeram querer ser professora. Espero que eu consiga ser assim ... tão especiais quanto vocês!
Percebi então que meu pensamento, de certa forma, também estava contaminado com alguma dessas ideias que as pessoas traziam até mim. Seria ingenuidade minha pensar que todos esses discursos são totalmente falsos. Eu sei que o trabalho do professor é muito desvalorizado hoje em dia e que os alunos mudaram com o passar dos anos. Sei, também, que falta muito para o Brasil ser um país que realmente se preocupa e investe na educação e apesar de nunca ter freqüentado – nem como professora, nem como aluna – uma escola pública, tenho consciência que pouco se faz para que a maioria dos estudantes brasileiros tenha um ensino de qualidade.
Então, me perguntei: por quê? Por qual motivo, apesar de tudo isso, eu continuo aqui estudando como louca, lendo muitos textos, passando noites sem dormir, me empenhando nos trabalhos? Por que eu continuo fazendo pedagogia?
Por algum tempo essa questão me atormentou. Mas ao ter oportunidade de voltar às minhas experiências do passado e ao meu tempo de aluna refleti que a escola marcou muito a minha vida. Quantos medos, traumas, choros, frustrações senti naquele lugar? Quantas vezes eu acordei não querendo ir à escola ou torcendo para acordar doente bem no dia daquela prova dificílima? Mas, mais do que isso, eu vejo o quanto a escola ainda é presente em mim. Os amigos, as excursões, as peças de teatro, as aulas de artes e, principalmente, os professores me fizeram ser o que eu sou hoje. E não só os professores da escola; os da faculdade também.
E foi com essa reflexão que cheguei a uma resposta para aquela questão tão inquietante. Eu quero ser professora, porque quero fazer na vida dos meus alunos a diferença que alguns dos meus professores fazem na minha vida. Eu continuo a fazer pedagogia, porque eu percebo que me espelhei em muitos dos meus mestres para construir minha personalidade, minhas preferências e meus ideais. A escolha da minha profissão é quase que uma retribuição ao tempo, carinho e dedicação que recebi durante esse tempo que estudei. Obrigada Tia Cris, Tia Márcia, Dona Gaino, Seu Léo, Dona Regininha, Mussa, Tadeu, Eliane, Galo, Ana... Vocês me fizeram querer ser professora. Espero que eu consiga ser assim ... tão especiais quanto vocês!
Beijos,
Renata
Rê, adorei o seu texto! Também ouvi muitos comentários negativos, mas nunca me fizeram, nem por um minuto, pensar em desistir de ser professora. A educação está precisando de pessoas que acreditam que o mundo pode mudar, e que estão dispostas a ajudar fazendo o pouco que podem para contribuir para essa mudança!
ResponderExcluirNossa profissão está longe de ser a mais valorizada, mas com certeza é a mais recompensadora! =)
Rê, que você continue sempre com esse espírito ao lecionar, que realmente não se abata pelos comentários negativos ou pelas dificuldades que a profissão proporciona. A educação realmente precisa de melhorias, mas é gratificante poder fazer diferença na vida de alguém.
ResponderExcluirReeeeee, eu amei o texto! Com certeza nossa escolha é uma forma de retribuir o que nossos professores fizeram por nós!
ResponderExcluirQue possamos estar a cada dia mais motivadas nessa rotina louca de universitárias e futuras professoras para fazer a diferença =)
Oi Renata, Seu texto me fez lembrar da minha infância das professoras que gostava e outras nem tanto assim, professoras que fizeram a diferença e me ajudaram a construir um pouco de mim. Obrigada.
ResponderExcluirAbc. Juliana Cristina.
É muito bom ler aqui que vocês compartilham comigo um pouco desses sentimentos em relação a educação. A infância é uma fase marcante, e a escola, assim como a família, domina minhas lembranças...não dá pra ser indiferente, né? Nem pra as boas recordações, nem para as ruins. Com certeza, essas memórias norteiam minha ação em sala de aula, pois me ajudam a escolher que tipo de professora quero ser e, mais importante, que tipo não quero ser.
ResponderExcluirObrigada pelo carinho e incentivo!
Um abraço!
Nossa, eu fico indignada quando um professor vira e fala "desista enquanto há tempo". Ser professor é maravilhoso e uma profissão que pede muita cautela, porque as crianças vão lembrar do que fizemos, podemos causar traumas e também ser lembradas com afeto. Eu mesma jamais esqueci de uma professora que me fez passar a maior vergonha do mundo porque eu não sabia fração (isso na quarta série!!!). Assim como qualquer outra profissão, tem os dilemas e as dificuldades, mas ver que o aluno conseguiu aprender o que foi ensinado é tão recompensador! Lembro da primeira vez que consegui alfabetizar uma criança que mal sabia escrever o nome... Ai ai ai
ResponderExcluirLendo seu texto refleti no passado e vi que foi por causa dele que escolhi Pedagogia. Adorei seu texto Re, parabêns
ResponderExcluirMichelle
Rê, que linda!
ResponderExcluirPercebe-se o quanto são sinceras as suas palavras. Seus potenciais e competência são explícitos, principalmente porque não há resultado negativo possível diante de tanta dedicação e, principalmente, AMOR!
Estou certa de que será muito importante na vida de seus alunos, e isto trará uma satisfação imensa!!! Também na vida de professores, que precisam[os] de exemplos inspiradores, de pessoas comprometidas com outras pessoas.
Beijos! Má
Acredito que o professor é alguém que não passa na nossa vida despercebido. Ele/ela é alguém da maior relevância na nossa formação. É só parar e pensar naqueles sujeitos que foram nossos professores. Certamente fizeram a diferença, para o bem, ou para o mau.
ResponderExcluirSnyders (2005), na obra "Alunos Felizes", nos apresenta a alegria e a alegria especificamente escolar como primordial à vida e isso pode e deve ser iniciado na escola através das relações que são particulares à própria Instituição.
O recurso motivacional é o contentamento em conhecer, em aprender e apreender todos os dias algo novo que supere o dia anterior. É a partir da alegria especificadamente escolar que é possível construir uma alegria intrínseca com a vida, e a escola é o lugar por excelência para promoção disso.
Tal alegria vai nos conduzir para “inclinações” de controle e de motivação. Vai permear decisões e nortear resoluções de conflitos, e vai, com esse movimento, encaminhar a criança para uma vida adulta completa e satisfatória.
Como poderíamos abandonar isso "enquanto à tempo"? Amamos a possibilidade de levar aos nossos alunos a alegria, certo?
Também sou aluna do 4 ano de Pedagogia, e voltei no meu passado por meio de seus relatos. A educação no Brasil, de fato, não recebe nem a metade da atenção que mereceria, mas muitos professores fizeram e continuar a fazer histórias na vida de seus alunos. A vida interira estudei em escola pública, agora estou na Unicamp, pública também, mas sempre tive um ensino de qualidade. Muitas professoras marcaram minha história, a professora Vilma, da segunda série (naquele tempo), a professora Márcia Renata,que me ensinou a gostar de ler, e outros (que agora não recordo o nome de todos) contribuiram para o meu desenvolvimento, tanto escolar como psicológico. Agora, cabe a nós fazer a nossa parte. Vamos fazer histórias com os nossos alunos, e lá na frente, quando a gente os encontrar, vamos ficar orgulhosas: foi meu aluno!!
ResponderExcluirOi Renata,
ResponderExcluirme identifiquei muito com seu texto, mas ainda nao tive a sorte de ter essa certeza que você tem hoje e sinceramente não sei se um dia vou chegar a ter. E isso me preocupa: estou no penultimo ano de Pedagogia, nunca tive experiências (fora estágios obrigatórios) na docência, hoje sou estagiária de RH e sei que é isso que eu gosto! Será que estou na faculdade certa? no curso certo? Foram 4 anos perdidos? Como a pedagogia pode me ajudar no trabalho dentro de uma empresa? São questões que passam na minha cabeça diariamente na minha cabeça!
Bom, eu já trabalhei como secretária e como assistente de Recursos Humanos e achei uma...chatice. Eu não gosto de resolver problemas que sei que as pessoas conseguem resolver sozinhas e acho desagradáveis as entrevistas para se contratar funcionários (certo que em RH vc pode trabalhar tb em outras funções). Contudo, quando entrei na sala de aula, ADOREI, ficava um tempão preparando aula para que meus alunos de fato aprendessem o conteúdo, realmente adoro ser professora. Espero que a Cecília se encontre e fico feliz que a Renata já se encontrou.
ResponderExcluirBeijos,
Lidiany
Lindo texto Rê, me identifiquei demais! Escolhi Pedagogia um pouco na indecisão (queria fazer Psicologia), mas hoje não me vejo fazendo nada além disso! Fico feliz por saber se a graduação está acabando, porém no fundo sei o quanto vai fazer falta cada momento que passamos na universidade. E o mais importante: vou me formar realizada.
ResponderExcluirÉ.. acho que o questionamento com relação a profissão aflige a todas. Mas não só constatar que somos uma classe profundamente desvalorizada, é, de posse desse conhecimento, nos unirmos, esclarecermos, questionarmos e lutarmos pra que essa valorização aconteça. Acho que nenhuma mudança em prol de alguma classe desfavorecida acontece do outro lado, do lado de quem paga mal, de quem fala mal.. Acontece quando, do nosso lado, a gente mesma se livra desse estigma, e fala pra quem queira ouvir (e pra quem insiste em não, rs) que temos valor como profissionais sim! Dá trabalho, viu?
ResponderExcluirFugi da Licenciatura Integrada e vim para pedagogia, esse é um movimento muito comum, principalmente daqueles que achavam que faltava algo na formação do professor nas licenciaturas diversas....
ResponderExcluirO grande problema mesmo surgiu quando falei que ia para a pedagogia, vish... se antes era ruim a mudança para esse curso era ainda pior.
Foi somente aos poucos que consegui mostrar para os familiares e amigos, que o que realmente importava, não é somente o futuro salário e sim o que você gosta de fazer.
Que texto mais lindo! Confesso que ele me fez lembrar de algumas "tias" que eu tive na minha vida escolar. Eu não sei ao certo porque escolhi fazer pedagogia, mas uma coisa eu sei... a partir do momento que essa escolha foi feita tenho a determinação de fazer a diferença na vida de cada um dos alunos que passarem por mim!
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